Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


  • TAMANHO DA LETRA:
  • A-
  • A+

26.08.2007

Prostituição on-line – Profissionais do sexo trocam ruas e boates pela Internet em busca de mais segurança, privacidade, lucro e até conforto

PDF

Fonte: Jornal o Tempo 08/07/2007 – VALQUIRIA LOPES

O
celular toca, são combinados preço e lugar. Mais um programa está
agendado. Pode ser em um motel, em um privê ou na residência do
cliente. E são cerca de seis a oito por dia, dependendo da
disponibilidade dela. A cada atendimento, um cliente diferente, um
corpo novo e o pagamento em dinheiro vivo. A combinação sempre se dá
sem o primeiro contato direto. O cliente faz a escolha pela tela do
computador.

É assim que as garotas de programa que trocaram as boates, casas de
prostituição e ruas pelos anúncios na Internet organizaram a prestação
do serviço para se diferenciarem no mercado, conseguirem mais
discrição, segurança e lucros. Embora estejam expostas na rede virtual,
elas afirmam que a contratação do serviço por meio da Internet também
permite que elas se resguardem. "Nunca procurei uma boate para
trabalhar porque não gostaria de encontrar amigos ou de ser
identificada por alguém conhecido. Faço programa há dois anos, mas não
conto para ninguém. Nem minha família sabe", explica Luciana*, 20,
anunciante de um site de acompanhantes na capital.

De acordo com a jovem, outro benefício dos sites de garotas de
programa é a independência que adquire. "Posso sair o dia que quero e
imponho as minhas condições, o que topo fazer ou não", diz. Ela relata
que o ganho é bem maior quando se opta por atender via Internet.
"Depois de dois anos de trabalho, tenho minha condição financeira
consolidada. Se quisesse parar de trabalhar hoje, eu poderia", afirma.
A experiência do ganho rápido também é relatada por Lorena*, 23.

Há cerca de dois anos ela faz programas e não trocaria mais o
sucesso de hoje no site pela vida que levava em uma agência de garotas
onde trabalhava. "Atualmente, eu tomo conta do meu próprio negócio. Eu
mesma combino com o cliente e não preciso dividir o dinheiro com o
agenciador, como acontecia antes", garante Lorena. Em alguns casos, não
são as mulheres que fazem os próprios anúncios, mas casas chamadas
relax, scoth bar ou de massagem colocam a propaganda virtual.

Em um desses estabelecimentos, no bairro Santo Agostinho, 18 garotas
atendem, recebem o valor do programa e a casa lucra com o preço do
aluguel do quarto e da entrada. De acordo com Grazzi, 18, que trabalha
nesse local, essa forma de publicidade também é segura. "Prefiro assim
porque não fico exposta. A casa já tem clientela, então tenho garantia
de trabalho sempre."

Consolidação
A mudança da propaganda das garotas de programa para o ambiente virtual surgiu, segundo o advogado Alexandre atheniense,
especialista em direito de informática e presidente da Comissão de
Tecnologia da Informação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB), na virada do século, com a entrada dos provedores de
Internet gratuitos. A partir daí, muitas garotas se adaptaram aos
anúncios em sites na web e o serviço virou uma febre. "Com um aumento
potencial do número de usuários e do público para explorar o serviço, a
divulgação dos sites, de fato, se consolidou", explica.

De acordo com Atheniense, a Internet é um meio propício para a
divulgação da prostituição, não só pelos recursos, como pela
possibilidade de ver fotos, acessar vários sites diferentes e poder
escolher "a gosto do cliente", mas também pelo apelo do anonimato.
Dessa forma, segundo o advogado, o acesso é feito e o programa
contratado sem a revelação da identidade do cliente ou da exposição
dele em ambientes públicos como scoth bares, nas ruas ou em boates.

* Nomes fictícios


Site permite escolha prévia do perfil

Os
sites de garotas de programa oferecem facilidades que se destacam de
outras formas de propaganda e traz vantagens tanto para quem acessa
como para as mulheres que oferecem o serviço. Para o cliente, a
possibilidade de escolher a mulher que mais lhe agrada por meio de
fotos e do perfil da garota já adianta a negociação. Do outro lado, a
anunciante também se beneficia em estabelecer o que aceita no momento
da transa.

Do próprio computador, o interessado em contratar um serviço da
prostituta já tem as informações que geralmente fariam parte de uma
conversa. Da página principal, as informações são filtradas até que se
chegue no tipo ideal para o programa. É possível escolher entre loiras,
morenas, ruivas e mulatas. Depois dessa pré-classificação outras opções
como preço, local de atendimento, fantasias e características da mulher
são apresentados.

A garota de programa Lorena, 23, conta que um dos benefícios do
anúncio virtual é que o cliente já sabe que tipo de mulher vai
encontrar. Com corpo esguio, seios firmes e recémturbinados com
silicone, ela afirma ser amante do prazer. No seu perfil, Lorena
estipula preços que variam entre R$ 250 por uma hora e R$ 300 por duas
horas. Também garota de programa, Luciana, 20, já estabelece no próprio
site o preço do pernoite: R$ 800.

O dinheiro é, para ambas, a grande motivação de ter começado a fazer
programa, já que as famílias passavam por crise financeira. Segundo
Lorena, os lucros sustentam as despesas da casa, a mensalidade da
faculdade de farmácia e engordam os investimentos. As duas traçam
planos para encerrar a atividade, mas garantem que não querem mais ter
problemas com dinheiro para não retornarem à profissão. (VL)


Advogado denuncia vista grossa do poder público

Vista grossa. Essa é a definição que o advogado Alexandre atheniense,
especialista em direito de informática, dá para o tratamento das
autoridades em relação aos sites que fazem propaganda ou agenciamento
de prostituição via Internet. Ele explica que a prática é discriminada
na legislação brasileira pelo Código Penal e, independentemente de como
é divulgada, deve passar por fiscalização. O advogado disse que o
modelo de prostituição promovido na Internet não se diferencia de
outros meios.

"A Internet é apenas um outro ambiente. A prática continua
capitulada no artigo 230 do Código Penal como atividade ilícita. A
legislação que hoje existe é também aplicada para Internet e não
podemos imaginar nesse caso que exista uma legislação ou um código
próprios. A Internet deve ser encarada somente como um veículo
alternativo", explica. No entanto, Atheniense afirma que faltam medidas
mais efetivas de controle. Segundo ele, o Ministério Público e a
Polícia Civil deveriam fiscalizar.

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, existe em Belo
Horizonte uma delegacia especializada para crimes praticados nos meios
eletrônicos e as outras fazem averiguações em estabelecimentos. A
delegada Andréa Ferreira Silva Araújo, da Delegacia Especializada em
Repressão ao Crime Informático e às Fraudes Eletrônicas (Dercife),
explica que não há prática criminosa, se o site que oferece serviços de
prostituição for acessado por maiores de 18 anos, sem exposição de
menores e com a autorização prévia de quem anuncia. O que é proibido,
segundo a delegada, é agenciar, aliciar ou ganhar dinheiro com mulheres
que se prostituem.

A delegada informou que a polícia faz a investigação quando há
notícia ou mesmo por meio de levantamentos investigatórios na rede. A
assessoria de imprensa do Ministério Público informou que a
prostituição por si só não é crime e também não é ilícito se a própria
pessoa resolve se oferecer ou fazer um anúncio de programa. O que é
ilegal, de acordo com o órgão, é a exploração ou o favorecimento por
meio da atividade, como no caso de quem lucra com a manutenção de casas
de prostituição. Ainda assim, de acordo com o MP, é preciso que as
denúncias cheguem ao órgão para que providências sejam tomadas. (VL)


‘Adoro transar, faço vários programas ao dia’

"Depois
da cirurgia para colocar o silicone, tive que dar um tempo sem fazer
programa. Mas, ainda com os seios enfaixados, eu queria transar. Amo
sexo. Adoro transar. Faço vários programas por dia e isso é minha
profissão. Se deixar, tenho programa 24 horas. O telefone não pára. Só
desligo no sábado e no domingo porque namoro. Tenho um noivo e, dentro
de três anos, quando eu parar de trabalhar, vou me casar com ele" Lorena
Publicado em: 08/07/2007

Publicado na(s) categoria(s) Cibercultura, Direito Penal Informático

2 comentários

Assine os feeds dos comentários deste post

  1. calebe comentou em 26.08.2011

    Parabens ótimo texto

  2. CLEOMARA comentou em 27.03.2012

    LINDO TEXTO

Deixe um comentário

  • *

Para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual comentou.