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21.09.2009

Privacidade em xeque provoca polêmica no mundo

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privacidade em xeque

Internet. Marcelo Quintella, do Google, diz que objetivo é organizar toda informação no mundo

Empresa promete tirar do ar o que o usuário pedir, mas ação pode ser lenta

O Google Street View, que estreou nos Estados Unidos em maio de 2007 e vem se espalhando por outros países, não consegue ficar imune à polêmica. São muitos os “incidentes”. Um homem que aparece abordando uma prostituta, outro que vomita no meio da rua, um casal que se separa depois que o carro do marido aparece em frente à casa da amante, a casa de “sir” Paul McCartney revelada…

A lista é longa, mas não abala a convicção da empresa de “organizar toda a informação do mundo” – e veja bem, não é toda a informação na Internet. “Os problemas que já tivemos foram bem pontuais, não é a movimentação de um país contra o Google”, diz o gerente de produto do Google Maps na América Latina, Marcelo Quintella.

Um dos funcionários do Google que percorreu a Universidade da Pensilvânia, Martin D.F. Angelo, chegou a dizer a jornais locais, na época, que a câmera às vezes desperta reações desconfiadas de gente mais idosa, mas os jovens invariavelmente adoram. “A reclamação mais comum das pessoas é a de que ‘pixelaremos’ seus rostos: a maioria adoraria aparecer nítida nas imagens.”
Marcelo Quintella concorda que o “normal” é o usuário gostar. Mas há alguns grupos que “tentam defender as pessoas”. “São grupos organizados com os quais a gente conversa para entender o que querem. Não teve até agora nenhum problema sem solução.”

Mas gato escaldado tem medo de água fria. Depois de assistir à lentidão do Google para tomar providências quanto a incidentes que já ocorreram no Brasil com outros serviços, principalmente o Orkut, o advogado especializado em direito digital Alexandre Atheniense teme que não seja tão simples.

“O Google nem sempre reage com presteza para retirar conteúdos ilícitos, e acaba a vítima tendo que procurar a Justiça”, diz o advogado, que dá um curso chamado Aspectos Jurídicos da privacidade Online.

O que ele questiona é que, enquanto nos Estados Unidos, de onde vem o Google, a liberdade de expressão é ampla, no Brasil ela é mais restrita. “Qualquer pessoa pode chegar e fotografar a via pública. Só que a exceção a essa regra é quando há violação do inciso 10º, no artigo 5º da Constituição: ‘são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direto a indenização pelo dano material ou moral decorrente da sua violação”, explica.

Identificação. Quintella garante que rostos e qualquer sinal de identificação são embaçados na imagem final, mas o advogado acha “muito difícil o Google ser 100% eficiente em filtrar o conteúdo antes de ser publicado ou removê-lo após o registro de algum incidente”.
Caso alguém se reconheça numa foto, mesmo que ninguém mais saiba que é ele, basta mandar uma mensagem, usando um link na página do Street View, e pedir para tirar do ar. O mesmo vale para residências.

Um dos casos mais conhecidos em que o Google foi acusado de invasão de privacidade foi no Japão. “O Japão tem uma diferença de cultura: a altura que a gente tira as fotos pegava um pedaço do muro da pessoa, isso para eles era desrespeitoso. Então a gente mudou a altura da torre e refez aquela cidade”, conta.

Missão é ‘só’ organizar tudo
A ideia de fotografar cidades mundo afora faz parte da missão do Google: organizar toda a informação no mundo. “Tem informação que não está na Internet”, diz o gerente Marcelo Quintella. “Queremos mostrar, para quem nunca esteve em Nova York, como é estar parado no meio da Times Square”, explica.
Enquanto organiza, a empresa fatura. “Ganha-se dinheiro do mesmo jeito que se ganha com tudo o mais – links patrocinados, anúncios, ou anúncios na própria página do Google.com.” (IM)

como usar o googelstreet view
a favor e contra

triciclo google street view

Google recorre a triciclos para fotografar locais inacessíveis

Triciclo vai aonde os carros não chegam

Parques naturais, sítios históricos, ruas exclusivas para pedestres fatalmente ficam de fora da rota dos carros do Google Street View. Para chegar a esses lugares, a empresa apelou para triciclos – movidos a pedalada mesmo.

Na Inglaterra, o Street View terá aqueles tradicionais castelos, caminhos costeiros, edifícios e monumentos históricos, além de estádios esportivos. Stonehenge e o lago Ness, cercados de mistérios, são desses pontos onde o carro não foi, mas o “trike” chegou.

Até o último dia 20, dois ciclistas percorreram jardins, lugares históricos e zonas exclusivas para pedestres de Paris. “A ideia é poder oferecer imagens de 360 graus de lugares que eram inacessíveis”, disse à Associated Press a porta-voz do Google, Anne-Gabrielle Dauba-Pantanacce.
No Brasil, os triciclos estão distantes. O objetivo da empresa por aqui, segundo o gerente Marcelo Quintella, é cobrir de carro as primeiras cidades (BH, Rio e São Paulo), expandir para outras áreas e, depois, quem sabe, voltar de triciclo às primeiras. (IM)

Publicado em: 30/08/2009

Fonte: Jornal O Tempo

Publicado na(s) categoria(s) Mídia, Notícias

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